quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PAI (para Mário Gouveia e meu amigo Luis Eurico)

Meu pai me ensinou a ser gentil com as pessoas, a ser comunicativo, a abraçar. Me ensinou, ainda, que homens podem, sim, beijar-se como ele sempre me beijou.
Meu pai me ensinou a sentir saudades de pequenos detalhes, de coisas simples que fazem muita diferença.
Meu pai me mostrou também que homem chora, sim, a qualquer hora em qualquer lugar; de alegria, de tristeza, por lembrar-se de um tempo bom.
Meu pai me ensinou a jogar xadrez aos cinco anos, o gosto pela leitura aos seis, a jogar futebol de botão aos sete, o gosto pela música de Nelson Gonçalves, Luis Gonzaga, Ray Charles e Frank Sinatra aos oito, a dedilhar um teclado aos dez, a viver a vida com intensidade aos quinze. Gostos que trago comigo ainda hoje…
Meu pai me deu tudo o que eu poderia querer e que ninguém jamais conseguirá tirar de mim, posto que nada dessas coisas se vendem, se tocam, têm preço; o seu valor, porém, é inestimável.
Meu pai não é herói, não é mito, apesar de ser o homem mais forte e mais sábio que já conheci.
Não me sinto culpado por amá-lo, e ser por ele amado. Não me sinto culpado por ter amigos ou conhecidos que não conheceram seus pais ou que foram hostilizados, humilhados, espancados, esquecidos ou ignorados. Desculpem-me todos que se sentirem ofendidos, mas minha dor não é menor por isso.
Desculpem-me também os espiritualizados ou céticos, mas para a mim a morte, ou sua iminência, não me convence de sua naturalidade, sobretudo quando se trata de alguém que amamos. Se essas pessoas aprenderam a aceitar com alegria o fato de que as pessoas morrem – desde que sejam os outros, claro – meu pai me ensinou mais uma coisa: um homem, por suas obras e ações, e que é verdadeiramente amado, nunca morre. Ele se estende em nós e é disseminado em nossos amigos, alunos, filhos. Aqueles que amo, viverão para sempre.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 SETEMBRO

Já que não somos capazes de lembrar eventos e fatos passados isoladamente, a memória coletiva surge como forma de agregar indivíduos e comunidades em torno de um passado, que, de alguma maneira, incide em suas realidades e os determina enquanto grupo social. Hoje está sendo comemorado (no sentido de lembrar junto de) os dez anos de um trágico acontecimento, que abalou novaiorquinos e chocou o mundo: a queda de um símbolo, a morte de inocentes, a ousadia de um atentado no sagrado solo estadunidense, nunca, d’antes ultrajado…
Alguém haveria de pagar por tamanha violência injustificada; morte a Saddam, morte a Osama, guerra eterna ao terror. Deveríamos sempre lembrar dessa data para que nunca mais baixássemos a guarda para a representação do mal que vinha do Oriente. Certamente nos lembramos do que fazíamos no dia 11 de setembro de 2001.
Essa memória coletiva de que tratamos, neste caso, não parece tão espontânea como se poderia pensar. Nesse mesmo 11 de setembro – de 1973 –, quem se lembra de orar pelos milhões de vítimas de um dos maiores atentados terroristas da história do Chile, quando o presidente democraticamente eleito – Salvador Allende – foi destituído do poder e o povo chileno mergulhou em uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina. Lá, assim como na Argentina e no Brasil, a liberdade de expressar-se deu lugar à tirania, à violência e à ausência de direitos civis. Quem pagará pelo exílio compulsório de mentes como as de Josué de Castro, Paulo Freire e Milton Santos? – só para citar alguns brasileiros reconhecidamente competentes. Você, ou seus pais, se lembra o que estava fazendo no dia 11 de setembro de 1973?
Os japoneses não foram atacados por grupos fundamentalistas em seu 11 de setembro de 1945 (e daí que foi em agosto? O que importa são os fatos e não a data em que ocorreram), foram covardemente agredidos por duas bombas atômicas lançadas pelos estadunidenses. Milhares de vítimas civis sucumbiram instantaneamente. Você, seus pais ou avós, se lembram do que estava fazendo nos dias 6 e 9 de agosto de 1945?
Quantos outros povos foram atacados por terroristas yankees? Quantos onze de setembro os americanos proporcionaram mundo afora? Se fizermos um minuto de silêncio pelas vítimas do desmoronamento provocado das torres gêmeas, teríamos de nos calar por, pelo menos, uma hora, em respeito às vítimas dos estadunidenses só no século XX.
Portanto, antes de nos dedicarmos a assistir a documentários e programas sensacionalistas que abordam incessantemente o triste evento ocorrido em Nova Iorque há uma década, esforcemo-nos para lembrar aqueles que morreram e ainda morrem a expensas de toda opressão outorgada ao homem pelo próprio homem.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

SOMOS DOIS

Os amores tudo saram?

Os amores tudo serenam?

Seriam sérias essas sentenças?

Se somos surdos, cegos, cínicos, sólidos

Só sentimos solidão

Se somos sinceros, sensatos, seresteiros,

Se sabemos sorrir e sentir sob o céu celeste ou cinza

Somos só nós dois

Somos plurais

sábado, 23 de julho de 2011

Strawberry Fields Forever Again

Faz dez dias. Caiu um avião. Escrevi uma postagem sobre como as coisas têm estado conexas com o advento da Internet. Acabei lembrando que era dia do rock e mencionei a Amy Winehouse e sua voz
agradavelmente escandalosa; incrivelmente poderosa. Voz que tinha um quê de ousadia que trazia de volta a recordação de uma certa moça que teve pouco tempo - exatamente 27 anos - para deixar a sua marca na vida de muita gente e na história da música. "Mas até parece uma negra cantando!" - que delícia!
Amy é soul, e, a despeito de toda a crítica, também fomos, ou somos, um pouco ela. Se, como outros garotos de vinte e poucos anos, a grande voz dos últimos vinte e poucos anos perdeu a batalha para as drogas, como especulam, não perderá jamais o lugar especial que conquistou em nossos ouvidos e nossos corações.
Seus olhos, tão marcantes e capazes de ditar moda, estão fechados, mas a sua voz ainda não parece acreditável que se calará tão cedo.
Mais uma vez, dez dias depois, caiu um avião...
Apenas uma vida se foi...
Uma estrela não se apaga...
Só retorna para a sua constelação. Será mais uma menina que vai brincar junto com Janis, Jimmy, Jim e Kurt nos Strawberry Fields Forever...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Nas teias da informação: entre fatos e links

Hoje caiu um avião na Região Metropolitana do Recife, ou ontem; mas quem faz o dia terminar é o ato de eu ir dormir, portanto, para mim, ou para meu relógio biológico, ainda é dia 13 de julho de 2011. Pois bem, fui ver a notícia assim que soube do ocorrido. Cheguei em casa, por volta das 12h30 e tive um lampejo de anos 90 e fui ligar a TV para saber do ocorrido. Minha namorada me disse que se eu quisesse saber com rapidez e qualidade de informação fosse à Internet. Foi o que fiz.
Já notaram como a Internet tem coisas curiosas? Acesso a página de notícias sobre o acidente que vitimou dezesseis pessoas e ao fim de uma notícia de pouco mais de 140 caracteres – mais que isso cansa o ciberleitor – encontro um link sobre as notícias da semana e descubro alguma coisa sobre um lançamento de foguete que aconteceu, ou vai acontecer, sei lá, é tanta informação nesse ambiente multitarefas que é a vida digital que eu nem sei como, só sei o quê e olhe lá…
Das pesquisas espaciais, descubro outro tag para as pesquisas epistemologicamente gastronômicas que tem feito alguns pesquisadores engordarem alguns quilinhos, posto que eles estão anotando as diferenças entre os hambúrgueres da MacDonald’s mundo afora. Nessa página totalmente educativa e relevante para o futuro da ciência vejo se abrir outra janela que oferece um celular a R$89,00. O meu ainda tá novo, mais sei lá, deu vontade de dar uma olhadinha. Abro e me deparo com uma máquina complexa que, entre outras coisas, serve para fazer ligações – seu preço é o quíntuplo dos oitenta e nove iniciais. O danado tem MP3 – qual destes já não tem essa maravilha, esse arrojo de modernidade?
Isso me fez lembrar que já estou há quase três dias tentando baixar umas músicas da Nina Zilli, cantora italiana que tem uma voz ou um timbre, que não sei porque me lembra a Amy, que me lembra a Janis Joplin e seu escândalo de voz. Ela, que assim como Jim e Jimmy, só tinha 27 quando se foi, que cantou no Woodstock e causou frisson na juventude e terror entre os conservadores, cantava Rock in Roll…
Olha, que coisa! Hoje, ou ontem, bem… é Dia do Rock! Hoje, aliás, caiu um avião…

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crônicas de Saudade às Margens Plácidas do Memorial de Justiça

Situado no Bairro do Recife Antigo, o lugar de memória da Justiça de Pernambuco, espaço onde preservação, pesquisa e debate se mesclam para formar um pouco de nossa identidade, presenciou na tarde de hoje interessantes palestras sobre História e documentação em nosso Estado. Contamos com a presença do nosso eterno professor Marcus Carvalho (PPGH – UFPE), de mestrandos em História e Ciência da Informação, e outros alunos da graduação de História.
               A despeito das brilhantes falas proferidas por colegas de longa data, como Carlos, Matheus e Lídia, e também por Mônica, nossa colega no PPGCI, trago a nota lamentável da tarde, que, em nada mancha a reputação do Memorial nem da sua atuante coordenadora. Pois bem, nas proximidades dali, recebi, na cara, a cru, a matéria-prima para que pudesse eu descortinar um pouco das minhas crônicas de saudade da época em que era eu graduando – e olha que nem faz tanto tempo.
               No meu tempo, os descolados da turma criavam suas panelinhas, e suas fogueirinhas, por motivos banais. Os que tentavam ser aplicados, os mais simples em gestos ou roupas ou os que tivessem uma religião e a levassem mais a sério do que os “não-praticantes” eram hostilizados de modo implícito, sub-reptício. Quando você não agradava a um grupo era só não tentar se enturmar e se houvesse algum problema, alguma discussão era só mandar tomar no cu e pronto, ou não. Não se chamava o “paiê” nem se chamava jagunços ou a polícia ou o advogado! Desconfio muito daqueles que são queridos por todos, afinal a unanimidade é burra, porque não traz discordância, debate, dúvida, enfim, que é o fruto do conhecimento.
               Descobri que os novos filhos de Clio – perdoai, oh, deusa, se eu estiver profanando o vosso santo nome em vão! – ainda trazem aquele discurso engajado e marxista, ainda consomem uma moda hippie de protesto – muitos também ainda fazem esse discurso do alto dos seus autos importados, cheirando a novo – mas, diante de um problema, correm pra chamar seus “paiês”. Afinal aquele que carrega um nome ou dois e mais três ou quatro sobrenomes, quando termina de dizer QUEM é, já cansou e humilhou aquele reles mortal a quem se dirige. E nesse caso a direção misturada à prepotência pode ser material perigoso.
               Dois carros batem. A culpa é de quem? Ela gritou, esbravejou, chorou, chamou o paiê, que trouxe segurança e chamou a polícia, que autuou. Por fim, perguntaram: você estuda…? Você conhece…? Ah, logo se vê…Desculpe, desculpe… Desculpo sim, mas… Lavei a alma; minha e de milhões de mudos e emudecidos. Estamos vingados. Era maio, não era treze, quem se importa?

quarta-feira, 11 de maio de 2011

MEMÓRIA E SAUDADE...

No meio do caminho
Tinha uma Igreja.
Dos Martírios, martirizada foi
Em prol do progresso;
E sua marcha
Imperativa da velocidade
[Modernidade não permite sufrágios]
Expurgou de seu caminho
O sagrado desalinho de pedra e cal,
Que cedeu às pressões cartesianas
Da Ordem e do Progresso.
Levou consigo uma das faces
Do à vontade das ruas tortuosas
De um Recife pré-industrial
E quase proto-industrial
E quase proto-urbano.
Deixou um rio de asfalto
Com nome de General.
Via de mão-única:
"Para o alto e avante!"
Negar essa lógica é transgredir,
É andar na contra-mão!

O avanço tecnológico e material cobra caro;
Pagamos com um casario, que, ao ruir,
Derrubou um pouco, ou muito, da alma
De um bairro, de sua identidade e pertença
Ficou memória e saudade...
Que bom!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Brincadeiras estéticas

Há quem goste porque acha bonito
Há quem ache bonito porque gosta
Beleza e gosto
Gosto e beleza,

Casal perfeito
Que nem sempre anda junto
Mas sugere idealizada hamonia
Desperta inebriante fantasia

Mas se achar bonito é uma maneira de gostar,
Como me disse Clarice
Então sou levado a acreditar que gosto
Do que vejo quando olho

Para aquela
Que traz na tez
O delicioso tempero brasileiro
Do cravo, da manga e da canela

Nessas divagações herméticas
Trago verso e graça
E até fico encabulado
Com verdades patéticas

Que revelam menos
Do que gostaria o pretenso poeta
E ocultam mais que uma vontade:
Um destino.

Não leve a mal
Essas, minha cara,
São brincadeiras estéticas...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

CHICOS DO BRASIL

Desafiou o preconceito, o sistema, a ordem
De cor, de gênero, de gosto
A preta ficou branca
A branca ficou preta

É da Silva Fidalga
É Gonzaga do Povo

Desafiou o preconceito, o sistema, a ordem
De religião, de terras, de poder
Um deu a vida pela causa
O outro deu a causa pela vida

É Xavier da luz
É Mendes da natureza

Desafiou o preconceito, o sistema, a ordem
Da mídia, do cálice
Enfiou a parabólica na lama
Girou com força a roda viva
Acordou as alfaias rachando os batentes armoriais
Encheu  nosso cotidiano de construções proparoxítonas

É Science do Mangue
É de Holanda brasileiro
Desafiou o preconceito, o sistema, a ordem
Do belo, do siso, do centro
César-Gênio das letras
Anysio-Gênio do riso

São todos chicos
São oito, são muitos
São todos
Todos Chicos brasileiros

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sus Pies

Por onde andaram
Esses pés?
Que terras percorreram?
Gastaram a própria sola?

Pisaram nuvens, flores e terra molhada
E também espinhos e pedras
Transpuseram rios sem pontes
Te levaram a outros horizontes

Um após o outro,
Numa cadência lenta e firme
De quem sabe aonde não quer ir
Eles te trouxeram até aqui

Por que demoraram tanto?
Eu esperaria mais!

Diante de mim
Eles se apresentam;
Agora somos quatro
A errar por novas veredas

Comungando direção e sentido,
Eles denotam perfeitas condições
De seguir, sempre juntos,
Essa longa caminhada que chamam de vida

sábado, 16 de abril de 2011

Enrolados

Enrolados, como os destinos dos dois
Não difíceis nem complicados
Mas entrelaçados, envolvidos
Em aneis graciosos

Enrolados ao ponto de envolvê-lo;
Seduzido se deixou ficar
Não lutou - era inútil resistir
Não esboçou qualquer reação

É doce essa ondulada prisão
Não tem paredes nem grades
Nem carcereiros ou cadeados
Só fios e cachos vermelhos

Vermelho é também o beijo
Os olhos, os dias
Como fins de tarde intermináveis
Olhados do mar para a praia vazia

É desse paraíso
E de sua deliciosa companhia
Que ele lembra quando os vê enrolados
Em seu peito feliz

Lembranças de mãe

O garoto viu um gibi
Encantou-se com aqueles desenhos
E ainda mais com os balõezinhos
Que continham um código indecifrável

Me pedia
Noite e dia
Para que lhe inserisse nesse universo
Mágico, plural, diverso

Depois que lhe mostrei o caminho,
Ensinando até onde sabia
Depois querendo ver, quando já não mais sabia,
Abraçou o mundo com os olhos

Quis ser médico, militar, engenheiro
Tudo ao mesmo tempo
Enfrentou desilusões e desenganos
Que o deixaram ainda maior

Hoje acho ele enorme
Apesar de ainda ter olhos curiosos que
Agora tem vidros a sua frente
Para dar conta das intermináveis leituras que faz

Tenho medo que fique louco!
Mas me orgulho de sua loucura e ousadia

Não sei aonde vai
Sei que para longe
Tão alto (ou mais) quanto posso
Desejar e imaginar

terça-feira, 5 de abril de 2011

Visita ao Museu da Realeza Democrática

O céu é do condor
Como a praça,
Ainda que cercada,
É do povo,

Mas o campo é das princesas.

Rico palácio
Onde morreu o interventor
E estiveram um velho vivo
E um jovem morto

Três tiranos

Lembrados pela memória do povo
E louvados por seu esquecimento
Como esquecida foi sua esperança
Reclusa, ilhada na ilha, distante

Uma placa atesta sua luta sem lembrar o seu retorno

Nesse museu da realeza democrática
O governador é ser de outro mundo – quase rei
Para ocupar sua cadeira não basta eleição!
“É preciso muito estudo”

Ou nascer de sangue e olho azul
Delicados cristais e móveis coloniais,
Registros materiais
Da vida de luxo, riqueza e ostentação
Da saudosa monarquia

Até os outrora súditos implicitamente denotam sua nostalgia

Inconscientemente somo todos monarquistas,
O rei do futebol, do rock, da coxinha
Não seriam um indício dessa nossa natureza
Viúva do silêncio e do chicote?

Guilhotina a esses mitos e viva o povo brasileiro!




domingo, 27 de março de 2011

Raio-X: Multiplicando qualquer coisa

A Álgebra que nunca foi linear
O Cálculo não integralizava
Engenheiro não fui - falhei?
Preferi transformar, perverter

O exato virou interrogação
Números deram lugar a interrogações e reticências
Ergui arranha-céus imaginários
Que, solidamente, desmanchavam-se no ar

Hoje eu não sou alguém
Eu estou qualquer coisa
Paquero, contemplo a ciência com a graça
De quem percebeu a ironia,
A incompletude e a ilusão
Presente naquele que tenta por A+B
Explicar o mundo e reduzir a incerteza

Multiplico o desconhecido
Voo no vazio
E acordo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pregões do pão-nosso-de-cada-dia

“Água!”
 “Maaacaxeiiira!”;
 “Pernambuco-Diário, Comééércio”
“Olha (Pi)poca, (pi)poca, (pi)poca…”

É assim que a vida ganham;
Os donos dessas vozes
No grito
Na raça
No centro
Na periferia

Anônimos, em uníssono,
Nos fazem relembrar
Pregões de outras épocas
O amolador de tesouras
A lã de barriguda pra travesseiro
(Que fazia medo aos meninos de oitenta anos)

Até a negra do mocotó e lombo
Parece que deu nome a uma ponte
Era negra de ganho?
Ganhou o quê?
Conquistou a alforria com seus quitutes?
Ou acabou embaixo da ponte engordando as carnes do caranguejos?

No Recife de antes
Narrado por Bandeira e Pena Filho
Lembrado por Mário Sette e Josué
Os atores e locutores da rua (dos prazeres e pecados, das bandas e revoluções)
Eram afamados, ilustres, esperados e temidos
A velocidade contemporânea os tornou mais um detalhe

As necessidades antigas e modernas os tornaram pouco criativos
Homogeneizando-os
Homens, mulheres, meninos
Por vezes, são vozes esvaziadas de significação
De poesia, beleza e ousadia
E hoje, o pão de cada dia faz as vezes de alforria





domingo, 13 de março de 2011

Recife - uma paixão

Em Pernambuco, o Recife... Não me canso de seus encantos, ruas, história...

 Nascer? 
 Nascer!  
Nascer 
Nascer, em qualquer lugar;
(Morrer no Recife, como disse o poeta do azul,  é enganar a morte)
Sobretudo viver no Recife
Respirar suas pontes
Beber do seu rio
Comer dos seus ritmos
arruar em seu traçado urbano
recordando os velhos sobrados
Revivendo as ruas de nomes bonitos
Aurora, saudade, Concórdia, Calçadas
São muitas; de muitos cheiros; muitas cores
Sabores... hummm

Cem anos de solidão -memórias e esquecimentos

Falaremos disto, em breve..........