sábado, 24 de março de 2012

HUMOR-RÉU

HUM MORREU

MORREU?

HUM-HUM

QUEM?

O HUMOR

MATOU-SE?

MATARAM

COMO?

INSUFICIÊNCIA INSPIRATÓRIA

CAUSA?

MEDIOCRIDADE

QUE FAZER?

DOE SEUS ÓRGÃOS

PRA QUEM?

OS OLHOS PRA JUSTIÇA SOCIAL

A BOCA PARA O POVO

O CORAÇÃO PARA O CAPITALISMO

O CÉREBRO PARA OS HUMORISTAS

E O RABO DOA PRA UM JOGADOR DE FUTEBOL

QUE O FUTURO TÁ GARANTIDO

sexta-feira, 23 de março de 2012

Um gênio não morre

Há algo mais bonito do que o sorriso de uma criança? Há algo mais encantador do que a capacidade de despertar o sorriso nessas crianças, independente de sua faixa etária?

Graças às incríveis tecnologias de armazenamento e disseminação de informação de imagens em movimento, tornadas possíveis a partir do invento dos irmãos Lumière, pude conhecer quatro verdadeiros gênios do humor. Humor inocente e ao mesmo tempo engajado. Humor que não envelhece nem desgasta; humor de fato, sem modismos, apelações ou agressões via redes sociais, lamentavelmente “curtidas” por uma geração carente da genialidade de um Chaplin, de um Bolaños, de um Benini, de um certo Chico.

Do famoso Carlitos, sempre afirmei que este encontrava-se num degrau acima dos outros três, por seu pioneirismo, e pelo fato de, apesar dos poucos recursos de sua época, tornar-se universal. Seja trabalhador, vagabundo ou ditador, este Artista soube emocionar e divertir como poucos.

O pequeno Sheakspeare mexicano, o Chespirito – muito conhecido pelo nome de seu mais famosos personagem: Chaves – merece ser lembrado como um nome forte nesse seleto grupo por ser capaz de, há mais de quarenta anos, contar as mesmas piadas e fazer rir como se as contasse pela primeira vez. Suas comicidade nunca abandonou o viés da crítica social.

Um certo Benini me foi apresentado há pouco mais de dez anos, quando mostrou ao mundo que “A vida é bela”, sissignore! Com a maior prova de amor da história do cinema, Benini alcança o impossível, fazendo-me rir e chorar ao mesmo tempo em cada uma das mais de dez vezes que assisti à saga de Guido contra o nazifascismo. Um Oscar foi pouco – Fernanda Montenegro que me desculpe.

Como era de se esperar, deixei pra falar do Chico por último. Nem melhor nem pior que os outros, simplesmente incomparável, esse, antes de tudo, forte nordestino adoçou a existência de várias gerações com um sem-número de personagens hilários. Pode perguntar: da sua avó ao seu sobrinho, todos conhecem um dos avatares de Chico e cada um, naturalmente, tem a sua preferência. Certamente o personagem mais encantador já representado foi o do guerreiro Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho. Sua luta, por aqui, terminou; ficamos todos mais tristes. Se os bons morrem antes, os gênios se vão na hora certa para iluminar outras dimensões.

sábado, 10 de março de 2012

Chico Rico

Por:  Mário Gouveia Júnior e Marilucy Ferreira

Chico, Cadê Você? Onde é Que Você Estava ? Apareceu na Foto da Capa, na Noticia de Jornal e na Televisão, A Cidade Ideal, a nossa Gente Humilde – mas Dura na Queda – vai receber A Volta do Malandro e toda A Banda? A Vizinha do Lado até me disse que dessa vez vais ficar no Grande Hotel, na Pousada do Bom Barão. É pena que hoje são dez e A Mão da Limpeza falou: Acorda, Amor e já levou toda a grana do mês, me deixando em Abandono, em Lágrimas, num Choro Bandido, Atrás da Porta.

Esse, Meu Caro Amigo, é o Cotidiano Desalento do Copo Vazio de quem todo dia tem que enfrentar Sol e Chuva numa Caçada por qualquer Cem Mil Réis que dure Até Segunda-Feira. Pois é, o Amanhã, ninguém sabe.  Na Carreira desse Esconde-Esconde que vivemos com a Morte e Vida Severina de cada dia, já Não Sonho Mais.

Eu sei, isso está parecendo uma Conversa de Botequim de Nego Maluco, mas entre Tantas Palavras Sem Açúcar, preciso te lembrar que, há muito mais de Doze Anos, o Dr. Getúlio decretou o salário-mínimo para a maioria de nós, que não vê nascer Dinheiro em Penca, que Samba, Agoniza, Mas Não Morre. Já disse a minha Divina Dama e ao Meu Guri, que é mais um ano Sem Você.

Agora Falando Sério, Olhos Nos Olhos, só vou te dar um Bom Conselho, afinal, Amigo É Pra Essas Coisas: neste país, pai da massa Geni, não paga a pena dar Murro Em Ponta De Faca. A Construção da Banda que passa é apenas um Retrato Em Branco E Preto... é A Gota D’ Água! Mas, Apesar De Você em 350 expressões quase retirar um Pedaço de Nós e nos excitar a tomar em silêncio o Cálice, porque o Sinal está Fechado, Sob Medida, neste Sonho Impossível, A Voz Do Dono E O Dono Da Voz, sem muita Lábia, nos diz: Cala A Boca, Bárbara! Ah, Se Eu Fosse Teu Patrão!

Chico, Cara a Cara, Sobre Todas as Coisas, De Todas as Maneiras, Até Pensei, nos Bastidores de minha mente, que você não é só Mais Uma Estrela que já disse Bye, Bye, Brasil e  Não Entende Nada. Todo esse Desencontro de informações, O Que Será? Seriam coisas do Show Bizz?

Tenho um Último Desejo; É Tão Simples! Eu Quero Um Samba. Basta Um Dia para que você faça. Faz uma letra que dê Acalanto aos que, Injuriados e injustiçados, escutam: o Vai Trabalhar Vagabundo – aqueles que gritaram pra você Cobras e Lagartos e que disseram: “Esse Moço Tá Diferente; “Quem Te Viu, Que Te Vê”. Trocando em Miúdos, diz que Vai Passar, que vai tocar Até o Fim num show bonito, feito Com Açúcar, Com Afeto. E quanto ao cachê? Deus Lhe Pague!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

PAI (para Mário Gouveia e meu amigo Luis Eurico)

Meu pai me ensinou a ser gentil com as pessoas, a ser comunicativo, a abraçar. Me ensinou, ainda, que homens podem, sim, beijar-se como ele sempre me beijou.
Meu pai me ensinou a sentir saudades de pequenos detalhes, de coisas simples que fazem muita diferença.
Meu pai me mostrou também que homem chora, sim, a qualquer hora em qualquer lugar; de alegria, de tristeza, por lembrar-se de um tempo bom.
Meu pai me ensinou a jogar xadrez aos cinco anos, o gosto pela leitura aos seis, a jogar futebol de botão aos sete, o gosto pela música de Nelson Gonçalves, Luis Gonzaga, Ray Charles e Frank Sinatra aos oito, a dedilhar um teclado aos dez, a viver a vida com intensidade aos quinze. Gostos que trago comigo ainda hoje…
Meu pai me deu tudo o que eu poderia querer e que ninguém jamais conseguirá tirar de mim, posto que nada dessas coisas se vendem, se tocam, têm preço; o seu valor, porém, é inestimável.
Meu pai não é herói, não é mito, apesar de ser o homem mais forte e mais sábio que já conheci.
Não me sinto culpado por amá-lo, e ser por ele amado. Não me sinto culpado por ter amigos ou conhecidos que não conheceram seus pais ou que foram hostilizados, humilhados, espancados, esquecidos ou ignorados. Desculpem-me todos que se sentirem ofendidos, mas minha dor não é menor por isso.
Desculpem-me também os espiritualizados ou céticos, mas para a mim a morte, ou sua iminência, não me convence de sua naturalidade, sobretudo quando se trata de alguém que amamos. Se essas pessoas aprenderam a aceitar com alegria o fato de que as pessoas morrem – desde que sejam os outros, claro – meu pai me ensinou mais uma coisa: um homem, por suas obras e ações, e que é verdadeiramente amado, nunca morre. Ele se estende em nós e é disseminado em nossos amigos, alunos, filhos. Aqueles que amo, viverão para sempre.

domingo, 11 de setembro de 2011

11 SETEMBRO

Já que não somos capazes de lembrar eventos e fatos passados isoladamente, a memória coletiva surge como forma de agregar indivíduos e comunidades em torno de um passado, que, de alguma maneira, incide em suas realidades e os determina enquanto grupo social. Hoje está sendo comemorado (no sentido de lembrar junto de) os dez anos de um trágico acontecimento, que abalou novaiorquinos e chocou o mundo: a queda de um símbolo, a morte de inocentes, a ousadia de um atentado no sagrado solo estadunidense, nunca, d’antes ultrajado…
Alguém haveria de pagar por tamanha violência injustificada; morte a Saddam, morte a Osama, guerra eterna ao terror. Deveríamos sempre lembrar dessa data para que nunca mais baixássemos a guarda para a representação do mal que vinha do Oriente. Certamente nos lembramos do que fazíamos no dia 11 de setembro de 2001.
Essa memória coletiva de que tratamos, neste caso, não parece tão espontânea como se poderia pensar. Nesse mesmo 11 de setembro – de 1973 –, quem se lembra de orar pelos milhões de vítimas de um dos maiores atentados terroristas da história do Chile, quando o presidente democraticamente eleito – Salvador Allende – foi destituído do poder e o povo chileno mergulhou em uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina. Lá, assim como na Argentina e no Brasil, a liberdade de expressar-se deu lugar à tirania, à violência e à ausência de direitos civis. Quem pagará pelo exílio compulsório de mentes como as de Josué de Castro, Paulo Freire e Milton Santos? – só para citar alguns brasileiros reconhecidamente competentes. Você, ou seus pais, se lembra o que estava fazendo no dia 11 de setembro de 1973?
Os japoneses não foram atacados por grupos fundamentalistas em seu 11 de setembro de 1945 (e daí que foi em agosto? O que importa são os fatos e não a data em que ocorreram), foram covardemente agredidos por duas bombas atômicas lançadas pelos estadunidenses. Milhares de vítimas civis sucumbiram instantaneamente. Você, seus pais ou avós, se lembram do que estava fazendo nos dias 6 e 9 de agosto de 1945?
Quantos outros povos foram atacados por terroristas yankees? Quantos onze de setembro os americanos proporcionaram mundo afora? Se fizermos um minuto de silêncio pelas vítimas do desmoronamento provocado das torres gêmeas, teríamos de nos calar por, pelo menos, uma hora, em respeito às vítimas dos estadunidenses só no século XX.
Portanto, antes de nos dedicarmos a assistir a documentários e programas sensacionalistas que abordam incessantemente o triste evento ocorrido em Nova Iorque há uma década, esforcemo-nos para lembrar aqueles que morreram e ainda morrem a expensas de toda opressão outorgada ao homem pelo próprio homem.



sexta-feira, 29 de julho de 2011

SOMOS DOIS

Os amores tudo saram?

Os amores tudo serenam?

Seriam sérias essas sentenças?

Se somos surdos, cegos, cínicos, sólidos

Só sentimos solidão

Se somos sinceros, sensatos, seresteiros,

Se sabemos sorrir e sentir sob o céu celeste ou cinza

Somos só nós dois

Somos plurais

sábado, 23 de julho de 2011

Strawberry Fields Forever Again

Faz dez dias. Caiu um avião. Escrevi uma postagem sobre como as coisas têm estado conexas com o advento da Internet. Acabei lembrando que era dia do rock e mencionei a Amy Winehouse e sua voz
agradavelmente escandalosa; incrivelmente poderosa. Voz que tinha um quê de ousadia que trazia de volta a recordação de uma certa moça que teve pouco tempo - exatamente 27 anos - para deixar a sua marca na vida de muita gente e na história da música. "Mas até parece uma negra cantando!" - que delícia!
Amy é soul, e, a despeito de toda a crítica, também fomos, ou somos, um pouco ela. Se, como outros garotos de vinte e poucos anos, a grande voz dos últimos vinte e poucos anos perdeu a batalha para as drogas, como especulam, não perderá jamais o lugar especial que conquistou em nossos ouvidos e nossos corações.
Seus olhos, tão marcantes e capazes de ditar moda, estão fechados, mas a sua voz ainda não parece acreditável que se calará tão cedo.
Mais uma vez, dez dias depois, caiu um avião...
Apenas uma vida se foi...
Uma estrela não se apaga...
Só retorna para a sua constelação. Será mais uma menina que vai brincar junto com Janis, Jimmy, Jim e Kurt nos Strawberry Fields Forever...