domingo, 27 de março de 2011

Raio-X: Multiplicando qualquer coisa

A Álgebra que nunca foi linear
O Cálculo não integralizava
Engenheiro não fui - falhei?
Preferi transformar, perverter

O exato virou interrogação
Números deram lugar a interrogações e reticências
Ergui arranha-céus imaginários
Que, solidamente, desmanchavam-se no ar

Hoje eu não sou alguém
Eu estou qualquer coisa
Paquero, contemplo a ciência com a graça
De quem percebeu a ironia,
A incompletude e a ilusão
Presente naquele que tenta por A+B
Explicar o mundo e reduzir a incerteza

Multiplico o desconhecido
Voo no vazio
E acordo...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Pregões do pão-nosso-de-cada-dia

“Água!”
 “Maaacaxeiiira!”;
 “Pernambuco-Diário, Comééércio”
“Olha (Pi)poca, (pi)poca, (pi)poca…”

É assim que a vida ganham;
Os donos dessas vozes
No grito
Na raça
No centro
Na periferia

Anônimos, em uníssono,
Nos fazem relembrar
Pregões de outras épocas
O amolador de tesouras
A lã de barriguda pra travesseiro
(Que fazia medo aos meninos de oitenta anos)

Até a negra do mocotó e lombo
Parece que deu nome a uma ponte
Era negra de ganho?
Ganhou o quê?
Conquistou a alforria com seus quitutes?
Ou acabou embaixo da ponte engordando as carnes do caranguejos?

No Recife de antes
Narrado por Bandeira e Pena Filho
Lembrado por Mário Sette e Josué
Os atores e locutores da rua (dos prazeres e pecados, das bandas e revoluções)
Eram afamados, ilustres, esperados e temidos
A velocidade contemporânea os tornou mais um detalhe

As necessidades antigas e modernas os tornaram pouco criativos
Homogeneizando-os
Homens, mulheres, meninos
Por vezes, são vozes esvaziadas de significação
De poesia, beleza e ousadia
E hoje, o pão de cada dia faz as vezes de alforria





domingo, 13 de março de 2011

Recife - uma paixão

Em Pernambuco, o Recife... Não me canso de seus encantos, ruas, história...

 Nascer? 
 Nascer!  
Nascer 
Nascer, em qualquer lugar;
(Morrer no Recife, como disse o poeta do azul,  é enganar a morte)
Sobretudo viver no Recife
Respirar suas pontes
Beber do seu rio
Comer dos seus ritmos
arruar em seu traçado urbano
recordando os velhos sobrados
Revivendo as ruas de nomes bonitos
Aurora, saudade, Concórdia, Calçadas
São muitas; de muitos cheiros; muitas cores
Sabores... hummm

Cem anos de solidão -memórias e esquecimentos

Falaremos disto, em breve..........