domingo, 11 de setembro de 2011

11 SETEMBRO

Já que não somos capazes de lembrar eventos e fatos passados isoladamente, a memória coletiva surge como forma de agregar indivíduos e comunidades em torno de um passado, que, de alguma maneira, incide em suas realidades e os determina enquanto grupo social. Hoje está sendo comemorado (no sentido de lembrar junto de) os dez anos de um trágico acontecimento, que abalou novaiorquinos e chocou o mundo: a queda de um símbolo, a morte de inocentes, a ousadia de um atentado no sagrado solo estadunidense, nunca, d’antes ultrajado…
Alguém haveria de pagar por tamanha violência injustificada; morte a Saddam, morte a Osama, guerra eterna ao terror. Deveríamos sempre lembrar dessa data para que nunca mais baixássemos a guarda para a representação do mal que vinha do Oriente. Certamente nos lembramos do que fazíamos no dia 11 de setembro de 2001.
Essa memória coletiva de que tratamos, neste caso, não parece tão espontânea como se poderia pensar. Nesse mesmo 11 de setembro – de 1973 –, quem se lembra de orar pelos milhões de vítimas de um dos maiores atentados terroristas da história do Chile, quando o presidente democraticamente eleito – Salvador Allende – foi destituído do poder e o povo chileno mergulhou em uma das mais sangrentas ditaduras militares da América Latina. Lá, assim como na Argentina e no Brasil, a liberdade de expressar-se deu lugar à tirania, à violência e à ausência de direitos civis. Quem pagará pelo exílio compulsório de mentes como as de Josué de Castro, Paulo Freire e Milton Santos? – só para citar alguns brasileiros reconhecidamente competentes. Você, ou seus pais, se lembra o que estava fazendo no dia 11 de setembro de 1973?
Os japoneses não foram atacados por grupos fundamentalistas em seu 11 de setembro de 1945 (e daí que foi em agosto? O que importa são os fatos e não a data em que ocorreram), foram covardemente agredidos por duas bombas atômicas lançadas pelos estadunidenses. Milhares de vítimas civis sucumbiram instantaneamente. Você, seus pais ou avós, se lembram do que estava fazendo nos dias 6 e 9 de agosto de 1945?
Quantos outros povos foram atacados por terroristas yankees? Quantos onze de setembro os americanos proporcionaram mundo afora? Se fizermos um minuto de silêncio pelas vítimas do desmoronamento provocado das torres gêmeas, teríamos de nos calar por, pelo menos, uma hora, em respeito às vítimas dos estadunidenses só no século XX.
Portanto, antes de nos dedicarmos a assistir a documentários e programas sensacionalistas que abordam incessantemente o triste evento ocorrido em Nova Iorque há uma década, esforcemo-nos para lembrar aqueles que morreram e ainda morrem a expensas de toda opressão outorgada ao homem pelo próprio homem.