sábado, 1 de setembro de 2012

Ode à elegância


Saiu à francesa; sequer esperou a primavera.
Já fizera muitas primaveras nas vidas de todos aqueles que tiveram a honra e o privilégio de poder chamá-lo de mestre.
Homem iluminista, homem iluminado. Sua luz não se apagou. Ela vive, posto que partilhou-a com muitos, simplesmente com todos que ouviu e que o ouviram de volta.
Muito ficou, é verdade.
Estamos, porém, tristes porque ainda assim arde uma biblioteca.
Arde o peito daquele que pensava que a dor é provocada pela presença de algo ruim. Irrefutavelmente reconheço, pela segunda vez, que a dor é fruto da ausência de algo bom.

A última lição que nos deu foi de luta, de paixão, de prazer, de vida.
Seus olhos atentos e curiosos pelo conhecimento, seu interesse pela ciência e pela academia sem academicismos, e sua elegância, esta última no amplo sentido da palavra, jamais serão esquecidos.
Obrigado, Dênis Bernardes!

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bom senso, criatividade, inteligência! Voltem logo que eu quero lhes usar


Anos 80. Inspirados pela inventividade sem tamanho de um químico (Macqyver era químico mesmo? Enfim…) as crianças de minha geração cresciam e se desenvolviam, muito graças as suas experiências de crianças e relações, também de crianças, nada virtuais, acreditando que poderiam transformar qualquer cacareco em algo extremamente útil. Algo que poderia até explodir as portas e os cadeados dos limites de qualquer realidade – infantil ou não.

Criatividade era o verbo.

No universo competitivo do futebol, por exemplo, poucas seleções que não ingressaram no olimpo dos “vencedores” ficaram tão famosas quanto a de 1982. Eu (eu! Sendo bastante injusto com Bebeto, Romário, Rivaldo e Ronaldo – porra, porque não nasceram antes?) trocaria o tetra e o penta que tive que ver pela glória de Telê, Júnior, Falcão, Sócrates e Zico que gostaria de ter visto.

No universo multicolorido e tupinirock de há vinte e poucos anos a nossa música até já podia ser mãe-solteira, mas não havia sido feita de Geni pelos Zepellins que hoje bombardeiam “novinhas” e “negas que endoidam” ao som de tchus e tchas. Ai se eu te pego!

Não havia facebooks-vitrines-de-vaidades-fúteis-e-de-meias-mentiras; não havia celulares que advinham o seu pensamento, mesmo que não completem a ligação, mas que você precisasse ter a qualquer custo para não ficar out; não havia cultizações de personagens secundários, como Mussuns e Seus Madrugas – com todo respeito – agora estão em alta? Antigamente todo mundo queria ser Juninho Bill, Luciano, não; todo mundo queria ser o He-man, Gorpo, não; todo mundo queria ser Ayrton Senna, Rubinho, não; todo mundo queria ser Bart Simpson, Milhouse, não.

Não sou contra esse grito dos excluídos, nem sou ou estou saudosista ou nostálgico. É que simplesmente pertenço a um mundo em que os amigos eram escolhidos pela pupila, um aperto de mão valia mais do que uma mesada, e a alegria destes era a nossa alegria.

Nos tempos em que um bordão de novela vira um meme tão chiclete quanto o garotinho da alegria ou a Luiza do Canadá, eu também vou reclamar: Bom senso, criatividade, inteligência, voltem logo que eu quero lhes usar!

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=MqQq_ykY_j0

sábado, 24 de março de 2012

HUMOR-RÉU

HUM MORREU

MORREU?

HUM-HUM

QUEM?

O HUMOR

MATOU-SE?

MATARAM

COMO?

INSUFICIÊNCIA INSPIRATÓRIA

CAUSA?

MEDIOCRIDADE

QUE FAZER?

DOE SEUS ÓRGÃOS

PRA QUEM?

OS OLHOS PRA JUSTIÇA SOCIAL

A BOCA PARA O POVO

O CORAÇÃO PARA O CAPITALISMO

O CÉREBRO PARA OS HUMORISTAS

E O RABO DOA PRA UM JOGADOR DE FUTEBOL

QUE O FUTURO TÁ GARANTIDO

sexta-feira, 23 de março de 2012

Um gênio não morre

Há algo mais bonito do que o sorriso de uma criança? Há algo mais encantador do que a capacidade de despertar o sorriso nessas crianças, independente de sua faixa etária?

Graças às incríveis tecnologias de armazenamento e disseminação de informação de imagens em movimento, tornadas possíveis a partir do invento dos irmãos Lumière, pude conhecer quatro verdadeiros gênios do humor. Humor inocente e ao mesmo tempo engajado. Humor que não envelhece nem desgasta; humor de fato, sem modismos, apelações ou agressões via redes sociais, lamentavelmente “curtidas” por uma geração carente da genialidade de um Chaplin, de um Bolaños, de um Benini, de um certo Chico.

Do famoso Carlitos, sempre afirmei que este encontrava-se num degrau acima dos outros três, por seu pioneirismo, e pelo fato de, apesar dos poucos recursos de sua época, tornar-se universal. Seja trabalhador, vagabundo ou ditador, este Artista soube emocionar e divertir como poucos.

O pequeno Sheakspeare mexicano, o Chespirito – muito conhecido pelo nome de seu mais famosos personagem: Chaves – merece ser lembrado como um nome forte nesse seleto grupo por ser capaz de, há mais de quarenta anos, contar as mesmas piadas e fazer rir como se as contasse pela primeira vez. Suas comicidade nunca abandonou o viés da crítica social.

Um certo Benini me foi apresentado há pouco mais de dez anos, quando mostrou ao mundo que “A vida é bela”, sissignore! Com a maior prova de amor da história do cinema, Benini alcança o impossível, fazendo-me rir e chorar ao mesmo tempo em cada uma das mais de dez vezes que assisti à saga de Guido contra o nazifascismo. Um Oscar foi pouco – Fernanda Montenegro que me desculpe.

Como era de se esperar, deixei pra falar do Chico por último. Nem melhor nem pior que os outros, simplesmente incomparável, esse, antes de tudo, forte nordestino adoçou a existência de várias gerações com um sem-número de personagens hilários. Pode perguntar: da sua avó ao seu sobrinho, todos conhecem um dos avatares de Chico e cada um, naturalmente, tem a sua preferência. Certamente o personagem mais encantador já representado foi o do guerreiro Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho. Sua luta, por aqui, terminou; ficamos todos mais tristes. Se os bons morrem antes, os gênios se vão na hora certa para iluminar outras dimensões.

sábado, 10 de março de 2012

Chico Rico

Por:  Mário Gouveia Júnior e Marilucy Ferreira

Chico, Cadê Você? Onde é Que Você Estava ? Apareceu na Foto da Capa, na Noticia de Jornal e na Televisão, A Cidade Ideal, a nossa Gente Humilde – mas Dura na Queda – vai receber A Volta do Malandro e toda A Banda? A Vizinha do Lado até me disse que dessa vez vais ficar no Grande Hotel, na Pousada do Bom Barão. É pena que hoje são dez e A Mão da Limpeza falou: Acorda, Amor e já levou toda a grana do mês, me deixando em Abandono, em Lágrimas, num Choro Bandido, Atrás da Porta.

Esse, Meu Caro Amigo, é o Cotidiano Desalento do Copo Vazio de quem todo dia tem que enfrentar Sol e Chuva numa Caçada por qualquer Cem Mil Réis que dure Até Segunda-Feira. Pois é, o Amanhã, ninguém sabe.  Na Carreira desse Esconde-Esconde que vivemos com a Morte e Vida Severina de cada dia, já Não Sonho Mais.

Eu sei, isso está parecendo uma Conversa de Botequim de Nego Maluco, mas entre Tantas Palavras Sem Açúcar, preciso te lembrar que, há muito mais de Doze Anos, o Dr. Getúlio decretou o salário-mínimo para a maioria de nós, que não vê nascer Dinheiro em Penca, que Samba, Agoniza, Mas Não Morre. Já disse a minha Divina Dama e ao Meu Guri, que é mais um ano Sem Você.

Agora Falando Sério, Olhos Nos Olhos, só vou te dar um Bom Conselho, afinal, Amigo É Pra Essas Coisas: neste país, pai da massa Geni, não paga a pena dar Murro Em Ponta De Faca. A Construção da Banda que passa é apenas um Retrato Em Branco E Preto... é A Gota D’ Água! Mas, Apesar De Você em 350 expressões quase retirar um Pedaço de Nós e nos excitar a tomar em silêncio o Cálice, porque o Sinal está Fechado, Sob Medida, neste Sonho Impossível, A Voz Do Dono E O Dono Da Voz, sem muita Lábia, nos diz: Cala A Boca, Bárbara! Ah, Se Eu Fosse Teu Patrão!

Chico, Cara a Cara, Sobre Todas as Coisas, De Todas as Maneiras, Até Pensei, nos Bastidores de minha mente, que você não é só Mais Uma Estrela que já disse Bye, Bye, Brasil e  Não Entende Nada. Todo esse Desencontro de informações, O Que Será? Seriam coisas do Show Bizz?

Tenho um Último Desejo; É Tão Simples! Eu Quero Um Samba. Basta Um Dia para que você faça. Faz uma letra que dê Acalanto aos que, Injuriados e injustiçados, escutam: o Vai Trabalhar Vagabundo – aqueles que gritaram pra você Cobras e Lagartos e que disseram: “Esse Moço Tá Diferente; “Quem Te Viu, Que Te Vê”. Trocando em Miúdos, diz que Vai Passar, que vai tocar Até o Fim num show bonito, feito Com Açúcar, Com Afeto. E quanto ao cachê? Deus Lhe Pague!