quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bom senso, criatividade, inteligência! Voltem logo que eu quero lhes usar


Anos 80. Inspirados pela inventividade sem tamanho de um químico (Macqyver era químico mesmo? Enfim…) as crianças de minha geração cresciam e se desenvolviam, muito graças as suas experiências de crianças e relações, também de crianças, nada virtuais, acreditando que poderiam transformar qualquer cacareco em algo extremamente útil. Algo que poderia até explodir as portas e os cadeados dos limites de qualquer realidade – infantil ou não.

Criatividade era o verbo.

No universo competitivo do futebol, por exemplo, poucas seleções que não ingressaram no olimpo dos “vencedores” ficaram tão famosas quanto a de 1982. Eu (eu! Sendo bastante injusto com Bebeto, Romário, Rivaldo e Ronaldo – porra, porque não nasceram antes?) trocaria o tetra e o penta que tive que ver pela glória de Telê, Júnior, Falcão, Sócrates e Zico que gostaria de ter visto.

No universo multicolorido e tupinirock de há vinte e poucos anos a nossa música até já podia ser mãe-solteira, mas não havia sido feita de Geni pelos Zepellins que hoje bombardeiam “novinhas” e “negas que endoidam” ao som de tchus e tchas. Ai se eu te pego!

Não havia facebooks-vitrines-de-vaidades-fúteis-e-de-meias-mentiras; não havia celulares que advinham o seu pensamento, mesmo que não completem a ligação, mas que você precisasse ter a qualquer custo para não ficar out; não havia cultizações de personagens secundários, como Mussuns e Seus Madrugas – com todo respeito – agora estão em alta? Antigamente todo mundo queria ser Juninho Bill, Luciano, não; todo mundo queria ser o He-man, Gorpo, não; todo mundo queria ser Ayrton Senna, Rubinho, não; todo mundo queria ser Bart Simpson, Milhouse, não.

Não sou contra esse grito dos excluídos, nem sou ou estou saudosista ou nostálgico. É que simplesmente pertenço a um mundo em que os amigos eram escolhidos pela pupila, um aperto de mão valia mais do que uma mesada, e a alegria destes era a nossa alegria.

Nos tempos em que um bordão de novela vira um meme tão chiclete quanto o garotinho da alegria ou a Luiza do Canadá, eu também vou reclamar: Bom senso, criatividade, inteligência, voltem logo que eu quero lhes usar!

Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=MqQq_ykY_j0