sexta-feira, 20 de maio de 2011

Crônicas de Saudade às Margens Plácidas do Memorial de Justiça

Situado no Bairro do Recife Antigo, o lugar de memória da Justiça de Pernambuco, espaço onde preservação, pesquisa e debate se mesclam para formar um pouco de nossa identidade, presenciou na tarde de hoje interessantes palestras sobre História e documentação em nosso Estado. Contamos com a presença do nosso eterno professor Marcus Carvalho (PPGH – UFPE), de mestrandos em História e Ciência da Informação, e outros alunos da graduação de História.
               A despeito das brilhantes falas proferidas por colegas de longa data, como Carlos, Matheus e Lídia, e também por Mônica, nossa colega no PPGCI, trago a nota lamentável da tarde, que, em nada mancha a reputação do Memorial nem da sua atuante coordenadora. Pois bem, nas proximidades dali, recebi, na cara, a cru, a matéria-prima para que pudesse eu descortinar um pouco das minhas crônicas de saudade da época em que era eu graduando – e olha que nem faz tanto tempo.
               No meu tempo, os descolados da turma criavam suas panelinhas, e suas fogueirinhas, por motivos banais. Os que tentavam ser aplicados, os mais simples em gestos ou roupas ou os que tivessem uma religião e a levassem mais a sério do que os “não-praticantes” eram hostilizados de modo implícito, sub-reptício. Quando você não agradava a um grupo era só não tentar se enturmar e se houvesse algum problema, alguma discussão era só mandar tomar no cu e pronto, ou não. Não se chamava o “paiê” nem se chamava jagunços ou a polícia ou o advogado! Desconfio muito daqueles que são queridos por todos, afinal a unanimidade é burra, porque não traz discordância, debate, dúvida, enfim, que é o fruto do conhecimento.
               Descobri que os novos filhos de Clio – perdoai, oh, deusa, se eu estiver profanando o vosso santo nome em vão! – ainda trazem aquele discurso engajado e marxista, ainda consomem uma moda hippie de protesto – muitos também ainda fazem esse discurso do alto dos seus autos importados, cheirando a novo – mas, diante de um problema, correm pra chamar seus “paiês”. Afinal aquele que carrega um nome ou dois e mais três ou quatro sobrenomes, quando termina de dizer QUEM é, já cansou e humilhou aquele reles mortal a quem se dirige. E nesse caso a direção misturada à prepotência pode ser material perigoso.
               Dois carros batem. A culpa é de quem? Ela gritou, esbravejou, chorou, chamou o paiê, que trouxe segurança e chamou a polícia, que autuou. Por fim, perguntaram: você estuda…? Você conhece…? Ah, logo se vê…Desculpe, desculpe… Desculpo sim, mas… Lavei a alma; minha e de milhões de mudos e emudecidos. Estamos vingados. Era maio, não era treze, quem se importa?

3 comentários:

  1. Detalhe, a pessoa faz história na UFPE, mas qando caga, chama o papai pra limpar a merda, imundiçaaaaaaaaaaa.

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  2. Ma rapaz, quer dizer que há um poeta no historiador? Que grata surpresa!

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  3. Muitas vezes estive mudo. Mas não sei se teria tua calma nessa situação.
    Bem, que pena que tem pessoas dessas em todos os lugares desse vil plano que vegetamos muitas vezes emudecidos.
    Abraços, brother!

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