Muito barulho por nada.
Todo ano é a mesma coisa.
Qual o ganho que a sociedade que sustenta a sociedade tem com isso?
O movimento estudantil, com saudade de uma época que não viveu
E só sabe o que foi de ouvir falar,
Acha que protestar contra o aumento das passagens de ônibus é ser politicamente ativo.
Essa forma de protesto, fechar um dos principais corredores de ônibus do Recife,
Angaria a antipatia da classe trabalhadora não-estudante, que,
Percebendo o transtorno causado em seu cotidiano,
Escolhe aceitar o que diz a mídia e achar que é uma ação de vândalos-baderneiros.
Na minha opinião, está tudo errado!
Galerinha pseudo-cara-pintada, acorda!
Pára de fazer do Movimento Estudantil trampolim para uma carreira política!
Quer ganhar muito e trabalhar pouco?
Faz concurso público!
Se vai protestar, esquece um pouco o preço do busão e
Questiona o preço do feijão, da carne, dos livros.
Vai ver o que seus vereadores estão confabulando, vai cobrar deles as suas promessas.
Vai ocupar a Assembleia, a Câmara, a casa do Governador.
Não pensa que o trabalhador é alienado, não.
E se realmente ele for, vai ensinar ele a entender o que você acha que sabe.
Pega a bicicleta, aproveita a geografia e deixa o VEM em casa;
De preferência em cima do Karl Marx que você diz que leu umas dez vezes...
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Justa-raiva
O abismo entre o tenho e o quero só aumenta.
Diminui a minha paciência;
Para onde foram meus fins-de-tarde?
Vinte e poucos anos de gestação
Seguidas de complicações deixaram-me viúvo e órfão
Do fruto de minha Cruzada.
Errei por tempo e espaço em vão.
Horizontes se sucedem
Agora tenho paz, à noite.
E todo o resto?
Pra onde foi?
”Fugiu com a alegria do amanhecer!”
Esbofeteou-me a consciência,
Num surto de lucidez
E justa-raiva.
Sei onde encontrá-lo;
É logo ali o seu esconderijo,
Mas a porta está fechada à chave
Sei disso porque fui eu quem fechou.
Pode o vermelho desbotado, rasgado, torturado
Um dia ostentar-se rubro e imponente ainda uma vez?
Depende da química, me diz a lógica
Ou de quantas doses curti na festa de Cronos.
Vamos lá, tudo bem.
Eu só quero esquecer de tudo,
Mas a água do Lete está custando caro,
Então me resta ter pena de mim.
O abismo entre o tenho e o quero só aumenta.
Diminui a minha paciência;
Para onde foram meus fins-de-tarde?
Vinte e poucos anos de gestação
Seguidas de complicações deixaram-me viúvo e órfão
Do fruto de minha Cruzada.
Errei por tempo e espaço em vão.
Horizontes se sucedem
Agora tenho paz, à noite.
E todo o resto?
Pra onde foi?
”Fugiu com a alegria do amanhecer!”
Esbofeteou-me a consciência,
Num surto de lucidez
E justa-raiva.
Sei onde encontrá-lo;
É logo ali o seu esconderijo,
Mas a porta está fechada à chave
Sei disso porque fui eu quem fechou.
Pode o vermelho desbotado, rasgado, torturado
Um dia ostentar-se rubro e imponente ainda uma vez?
Depende da química, me diz a lógica
Ou de quantas doses curti na festa de Cronos.
Vamos lá, tudo bem.
Eu só quero esquecer de tudo,
Mas a água do Lete está custando caro,
Então me resta ter pena de mim.
Black
Está tudo bem?
Desejo muito que esteja bem.
Bem, ao menos um de nós precisa estar.
Desculpa esse meio no meio de uma tarde tão fria, tão cinza
Agora cai a chuva e pela janela já não vejo aqueles tons purpurios.
Também não vejo como isso pode fazer bem a qualquer um de
nós,
Mas preciso comunicar -- Não era esse o verbo?
Sei que um dia
tudo serão apenas lembranças,
Mas é que por mais que eu sorria
Encontre pupilas,
Por mais que eu viva, ainda sinto-me uma lacuna.
Pinturas por fazer, esculturas em busca da forma,
Cinco vezes cinco horizontes girando em torno de um eu
A quem não fui apresentado ainda.
Tudo preto.
Fui eu que mudei ou foi o chão que pisei?
Teus passos quebraram algo aqui em algum lugar
Não sei onde e também não interessa.
Afinal, a alegria está aí -- é Natal? E daí?
Não tenho do que sorrir nem com quem dividir.
E meus pensamentos estão mudando muito rápido
Quantos cacos de vidro estão em meus pulmões?
Do escuro eu já te posso ver;
És fonte de luz, nunca deixastes de ser.
Iluminas um outro céu.
sábado, 1 de setembro de 2012
Ode à elegância
Saiu à francesa;
sequer esperou a primavera.
Já fizera muitas primaveras nas vidas de todos
aqueles que tiveram a honra e o privilégio de poder chamá-lo de mestre.
Homem
iluminista, homem iluminado. Sua luz não se apagou. Ela vive, posto que partilhou-a
com muitos, simplesmente com todos que ouviu e que o ouviram de volta.
Muito ficou, é
verdade. Estamos, porém, tristes porque ainda assim arde uma biblioteca.
Arde o peito daquele que pensava que a dor é provocada pela presença de algo ruim. Irrefutavelmente reconheço, pela segunda vez, que a dor é fruto da ausência de algo bom.
A última lição que
nos deu foi de luta, de paixão, de prazer, de vida.
Seus olhos atentos e
curiosos pelo conhecimento, seu interesse pela ciência e pela academia sem
academicismos, e sua elegância, esta última no amplo sentido da palavra, jamais
serão esquecidos.
Obrigado, Dênis
Bernardes!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Bom senso, criatividade, inteligência! Voltem logo que eu quero lhes usar
Anos 80. Inspirados
pela inventividade sem tamanho de um químico (Macqyver era químico mesmo? Enfim…)
as crianças de minha geração cresciam e se desenvolviam, muito graças as suas
experiências de crianças e relações, também de crianças, nada virtuais,
acreditando que poderiam transformar qualquer cacareco em algo extremamente
útil. Algo que poderia até explodir as portas e os cadeados dos limites de
qualquer realidade – infantil ou não.
Criatividade era o
verbo.
No universo competitivo
do futebol, por exemplo, poucas seleções que não ingressaram no olimpo dos “vencedores”
ficaram tão famosas quanto a de 1982. Eu (eu! Sendo bastante injusto com Bebeto,
Romário, Rivaldo e Ronaldo – porra, porque não nasceram antes?) trocaria o
tetra e o penta que tive que ver pela glória de Telê, Júnior, Falcão, Sócrates e
Zico que gostaria de ter visto.
No universo
multicolorido e tupinirock de há vinte e poucos anos a nossa música até já podia
ser mãe-solteira, mas não havia sido feita de Geni pelos Zepellins que hoje
bombardeiam “novinhas” e “negas que endoidam” ao som de tchus e tchas. Ai se eu
te pego!
Não havia facebooks-vitrines-de-vaidades-fúteis-e-de-meias-mentiras;
não havia celulares que advinham o seu pensamento, mesmo que não completem a ligação,
mas que você precisasse ter a qualquer custo para não ficar out; não havia cultizações de
personagens secundários, como Mussuns e Seus Madrugas – com todo respeito – agora
estão em alta? Antigamente todo mundo queria ser Juninho Bill, Luciano, não;
todo mundo queria ser o He-man, Gorpo, não; todo mundo queria ser Ayrton Senna,
Rubinho, não; todo mundo queria ser Bart Simpson, Milhouse, não.
Não sou contra esse
grito dos excluídos, nem sou ou estou saudosista ou nostálgico. É que
simplesmente pertenço a um mundo em que os amigos eram escolhidos pela pupila,
um aperto de mão valia mais do que uma mesada, e a alegria destes era a nossa
alegria.
Nos tempos em que um
bordão de novela vira um meme tão chiclete quanto o garotinho da alegria ou a
Luiza do Canadá, eu também vou reclamar: Bom senso, criatividade, inteligência,
voltem logo que eu quero lhes usar!
Fonte: http://www.youtube.com/watch?v=MqQq_ykY_j0
sábado, 24 de março de 2012
HUMOR-RÉU
HUM MORREU
MORREU?
HUM-HUM
QUEM?
O HUMOR
MATOU-SE?
MATARAM
COMO?
INSUFICIÊNCIA INSPIRATÓRIA
CAUSA?
MEDIOCRIDADE
QUE FAZER?
DOE SEUS ÓRGÃOS
PRA QUEM?
OS OLHOS PRA JUSTIÇA SOCIAL
A BOCA PARA O POVO
O CORAÇÃO PARA O CAPITALISMO
O CÉREBRO PARA OS HUMORISTAS
E O RABO DOA PRA UM JOGADOR DE FUTEBOL
QUE O FUTURO TÁ GARANTIDO
sexta-feira, 23 de março de 2012
Um gênio não morre
Há algo mais bonito do que o sorriso de uma criança? Há algo mais encantador do que a capacidade de despertar o sorriso nessas crianças, independente de sua faixa etária?
Graças às incríveis tecnologias de armazenamento e disseminação de informação de imagens em movimento, tornadas possíveis a partir do invento dos irmãos Lumière, pude conhecer quatro verdadeiros gênios do humor. Humor inocente e ao mesmo tempo engajado. Humor que não envelhece nem desgasta; humor de fato, sem modismos, apelações ou agressões via redes sociais, lamentavelmente “curtidas” por uma geração carente da genialidade de um Chaplin, de um Bolaños, de um Benini, de um certo Chico.
Do famoso Carlitos, sempre afirmei que este encontrava-se num degrau acima dos outros três, por seu pioneirismo, e pelo fato de, apesar dos poucos recursos de sua época, tornar-se universal. Seja trabalhador, vagabundo ou ditador, este Artista soube emocionar e divertir como poucos.
O pequeno Sheakspeare mexicano, o Chespirito – muito conhecido pelo nome de seu mais famosos personagem: Chaves – merece ser lembrado como um nome forte nesse seleto grupo por ser capaz de, há mais de quarenta anos, contar as mesmas piadas e fazer rir como se as contasse pela primeira vez. Suas comicidade nunca abandonou o viés da crítica social.
Um certo Benini me foi apresentado há pouco mais de dez anos, quando mostrou ao mundo que “A vida é bela”, sissignore! Com a maior prova de amor da história do cinema, Benini alcança o impossível, fazendo-me rir e chorar ao mesmo tempo em cada uma das mais de dez vezes que assisti à saga de Guido contra o nazifascismo. Um Oscar foi pouco – Fernanda Montenegro que me desculpe.
Como era de se esperar, deixei pra falar do Chico por último. Nem melhor nem pior que os outros, simplesmente incomparável, esse, antes de tudo, forte nordestino adoçou a existência de várias gerações com um sem-número de personagens hilários. Pode perguntar: da sua avó ao seu sobrinho, todos conhecem um dos avatares de Chico e cada um, naturalmente, tem a sua preferência. Certamente o personagem mais encantador já representado foi o do guerreiro Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho. Sua luta, por aqui, terminou; ficamos todos mais tristes. Se os bons morrem antes, os gênios se vão na hora certa para iluminar outras dimensões.
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